Um sistema que usa a política de segurança strict é aquele onde tudo é negado por padrão, e é necessário habilitar regras na política de segurança para cada tarefa que cada aplicação ou processo irá realizar. O SELinux foi concebido originalmente para atender à política strict, pois as políticas utilizadas são somente de permissão e não de bloqueio. Para um sistema generalista como é o Linux, atender ao uso de uma política strict é uma grande e complexa tarefa. As primeiras experiências de uso da política strict no sistema operacional Linux foram na distribuição Fedora Core versão 2, onde a política era desabilitada por padrão. Esse novo recurso causou curiosidade em muitos administradores de sistemas, que por desejo de tornar o seu sistema mais seguro, habilitaram o uso da política strict durante a instalação. Como a política strict ainda não era madura o suficiente para seu uso em sistemas comerciais (o Linux Fedora Core é uma distribuição usada pela Red Hat para testar novos recursos e amadurecimento de versões de aplicações para depois então serem aplicados no Red Hat Linux) e não atendia todos os programas disponíveis na distribuição Fedora, acabaram ocorrendo muitos problemas em seu uso, e esse deve ter sido o fato que motivou a ``má fama'' atribuída ao SELinux. Ele ficou conhecido por ser um sistema muito complexo, que apenas trazia mais problemas para serem contornados pelos administradores de sistemas. Isso marcou tanto, que a principal pergunta em fóruns de internet sobre segurança e SELinux da época era: ``Como desabilito o SELinux?'' [WALSH 2005].
Desde então muita coisa mudou no SELinux até os dias atuais, pois hoje a política strict se mostra utilizável em sistemas Linux para muitos casos. Os incidentes ocorridos nas distribuições Fedora 2 levaram a criação de uma nova política de segurança SELinux, a targeted, e a criação de um novo domínio chamado unconfined_t [WALSH 2006:1].
Jeronimo Zucco
2008-04-26